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Isaac Barradas

Isaac Barradas

As NÃO Coincidências do Universo

02.08.21 | Isaac Barradas

O que têm em comum: Um livro o José Rodrigues dos Santos, um fotografo do National Geographic e a minha fotografia?

Parece o inicio de uma anedota, eu sei. Mas não é!

“Nós ficamos de guarda à porta dos museus! Devíamos ficar de guarda aos animais porque também eles são obras de arte!”

Quem o disse foi um dos fotógrafos mais fascinantes de todos os tempos. Dedica a sua vida imortalizar todas as espécies de animais do mundo. E sabes o que é o melhor de tudo? Fa-lo de uma forma tão apaixonada e altruísta que não há como não nos derretermos enquanto o ouvimos contar suas histórias e experiências.

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Estou a falar de Joel Sartore, fotógrafo da National Geographic, e do seu trabalho fotográfico: PhotoArk. O projeto de uma vida, que já passou pela Cordoaria Nacional.

Como é que cheguei a esta frase? Antes de te contar, devo dizer que não acredito em coincidências. Acredito que as coisas acontecem no momento em que nós precisamos delas ou da mudança que elas nos trazem.

Em dias recentes, tenho vindo a questionar a minha fotografia e o que ela me tem permitido fazer e viver. Tenho procurado o balanço entre a dedicaçação a esta paixão e a todas as outras áreas da minha vida. Acima de tudo, tenho questionado se aidna faz sentido estar a trás da câmara. É aqui que tenho de introduzir outro dos meus gostos: a leitura.

Como objetivo para 2021, decidi que queria reacender esta chama quase apagada e voltar a ganhar o hábito a leitura. decidi faze-lo, entre outros autores, com os livros do José Rodigues dos Santos. Descobrio-os na adolescência e a ideia de completar a leitura da série "Tomás Noronha" tem andado a dançar na minha mente. Atualmente estou no terceiro livro da coleção: "O Sétimo Selo".

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Sem spoilers para quem o quiser ler, este é o resumo: o livro leva a personagem principal num enredo policial relacionado com os impactos climático do modo de vida dos países desenvolvidos e daqueles que o pretendem ser. De uma forma clara, precisa e brutalmente honesta, acompanahmos a personagem enquanto ela entende que estamos a viver em tempo emprestado e que o destino da raça humana é o de morrer, matando o planeta antes disso.

Mas afinal de contas, como é que isto tudo se relaciona?

Enquanto acabo este livro, o fotografo que vive em mim vai percebendo as subtis mudanças que uma paisagem tem ao longo do tempo, graças ao impacto da vida humana. O impacto que a nossa forma de viver tem no planeta e como ela muda tudo a todo o instante. Por sua vez, a minha faceta de pai questiona-se sobre que mundo estou a deixar para as gerações futuras, das quais o meu filho faz parte.

É aqui que entra Joel Sartore e a masterclass em que participei na quarta feira passada. Foi durante essa aula que, entre tanta outra sabedoria, Joel disse a frase que dá inicio a este post:

 “Nós ficamos de guarda à porta dos museus! Devíamos ficar de guarda aos animais porque também eles são obras de arte!”

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Assim, sem que nada o fizesse esperar, a minha questão sobre se devia continuar a fazer fotografia ou não, foi respondida. No final da aula, Joel deixou um conselho a todos os participantes que se querem iniciar ou avançar ainda mais no mundo da fotografia:

"Encontra algo que gostes porque assim vais compromoter-te. Dedica-te a isso e torna-te o melhor. Não esperes que venham ter contigo ao final de algum tempo. Vão passar anos sem que nada aconteça mas vais fazê-lo porque gostas!"

Estas palavras ecoaram na minha mente e relembraram-me do livro que estou a ler e das minhas próprias palavras, no meu site:

Como que uma peça final de um puzzle depois de colocada, completaram a imagem e responderam às minhas questões.

Como fotografo posso resgistar as mais belissimas paisagens do mundo e utiliza-las como ferramenta para comunicar a necessidade de mudança e documentar as alterações constantes. Como pai, posso deixar todo o legado fotográfico e uma mensagem simples, dita por um grande homem: "Sê a mudança que queres ver no mundo"

Tudo isto faz sentido ou são apenas devaneios meus em busca de algum outro significado?