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Isaac Barradas

Isaac Barradas

Que local magnífico!

Arco natural de Albandeira

01.07.21 | Isaac Barradas

Beyond-the-Horizon.jpg

 

Posso começar este post lançando-te um desafio? Se tivesses de deixar a fotografia hoje, o que levavas contigo desta paixão?

Pergunta difícil? Vou partilhar a minha resposta. Talvez ajude 😉

Desde que comecei a fotografar, passei por diversos momentos, estilos, acontecimentos e pessoas.

Mas… sabes aquela voz interior que faz questão de lembrar que as coisas ainda não estão como tu queres? Todos nós a temos e a minha dizia-me que a fotografar paisagens eu me sentiria realizado como fotógrafo.

Hoje, 8 anos depois de ter comprado a minha primeira câmara, penso mais sobre os aspectos filosóficos da fotografia e a forma como esta arte impactou a minha vida. Hoje, tudo o que vejo é uma fotografia. Faça o que fizer, a fotografia está lá a trás, sempre a guiar o olho e o pensamento para a luz, a composição e o detalhe. 

Respondendo à minha própria pergunta, e em jeito de reflexão pessoal, admito que se tivesse de largar a fotografia hoje, traria comigo a gratidão de todos os momentos únicos que vivi desde que me dediquei às paisagens! Essa é minha forma de estar no que à fotografia diz respeito. Admirar e agradecer!

A beleza diversificada do nosso mundo é algo que pode facilmente assoberbar qualquer pessoa: As cores do céu ao nascer o sol ou as texturas de uma rocha salientadas pela luz baixa e quente do fim de tarde são pormenores únicos. Fazem parte de um todo que, enquanto fotógrafo, tenho tido a infindável sorte de poder observar. É por isto que estou grato à fotografia, por poder ser um simples observador do espetáculo que é a vida.

Na quarta feira da semana passada, o trabalho levou-me ao Algarve durante o dia. A paixão pela fotografia fez-me ficar para lá do crepúsculo.

Pude testemunhar um espetáculo de luz e cor como nunca antes! Fui acompanhado pelo som dos pássaros, também eles gratos, livres e isentos de preocupações.

IMG20210623204836.jpg

 

Enquanto o sol se punha e a seleção portuguesa defendia o seu título de campeã europeia de futebol (que à data que escreve é uma distante memória), eu fotografava. Desapercebido de tudo isto e com apenas um objetivo em mente: viver o momento.

O sol descia lentamente até ao horizonte. As nuvens que pintavam o seu de banco foram alterando as suas cores, ganhando aquele tom laranja e rosa, característico da hora dourada.

Imediatamente por baixo de mim, o oceano desenrolava-se nas rochas: uma eterna dança irrequieta e repetitiva. O som das ondas lutava contra o silêncio que dominava a paisagem e ambos se juntos davam a toda a cena um ar distante e calmo.

Com o ar quente do fim de tarde a bafejar-me a face, a sensação era a de que, apenas a paisagem que se perpetuava no infinito era real.

Com a grande estrela flamejante quase a baixo do horizonte, um casal de turistas juntou-se ao espetáculo. De manta estendida no chão e com uma garrafa de vinho verde para os dois, abraçaram-se e também eles desfrutaram dos últimos raios de sol. Cálculo que a gratidão por aquele momento também ali estava presente.

É por isto que fotógrafo paisagens: não apenas pela beleza mas por poder viver cada momento, cada cor, cada cheiro, cada detalhe e cada segundo.

 

Isaac Barradas

2 comentários

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    Isaac Barradas

    19.07.21

    O conhecimento é a primeira e mais importante vertente de uma boa fotografia. O material apenas permite captar aquilo que o fotografo sabe fazer. Por vezes até o smartphone ajuda a fazer "aquela" fotografia.

    Obrigado pelo feedback!
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